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06/02/2009

Dom Helder Câmara – Centenário

(Fortaleza, 7 de fevereiro de 1909Recife, 28 de agosto de 1999)

 

Um sonho sonhado sozinho é apenas um sonho.

Um sonho sonhado juntos é o princípio de uma nova realidade.

 

ACADEMUS quer homenagear um dos Homens Ilustres do Brasil, pelo que representou de espírito público, dedicação às classes humildes, cultura humanista e religiosidade, com forte protagonismo político em momento crítico da ditadura militar.

Dom Hélder Câmara, bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, foi grande defensor dos direitos humanos durante o regime militar brasileiro. Pregava uma igreja simples voltada para os pobres e a não-violência. Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Foi indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz.

Desde cedo manifestou sua vocação para o sacerdócio, ingressando no Seminário Diocesano de Fortaleza (1923), ordenado padre a 15 de agosto de 1931, com 22 anos de idade, por autorização especial da Santa Sé, pois não possuía a idade mínima exigida. No mesmo ano, fundou a Legião Cearense do Trabalho e em 1933, a Sindicalização Operária Feminina Católica, que congregava as lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas. Atuou na área da educação, participando de políticas governamentais do estado do Ceará na área da educação pública.

Em 1936 foi para a cidade do Rio de Janeiro, dedicando-se a atividades apostólicas. Nomeado bispo auxiliar, foi ordenado aos 43 anos de idade, no dia 20 de abril de 1952. Fortaleceu a nascente Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e participou da criação do Conselho Episcopal Latino-Americano. Foi um grande promotor do colegiado dos bispos e da renovação da Igreja Católica, fortalecendo a dimensão do compromisso social.

Em 1956, fundou a Cruzada São Sebastião, com a finalidade de dar moradia decente aos favelados. Desta primeira iniciativa, outros conjuntos habitacionais surgiram. Em 59, fundou o Banco da Providência, cuja atuação se desenvolve no atendimento a pessoas que vivem em condições miseráveis. 

Teve participação ativa no Concílio Ecumênico Vaticano II. A 12 de março de 1964 foi designado arcebispo de Olinda e Recife, múnus que exerceu até 2 de abril de 1985. Instituiu um governo colegiado na diocese, organizada em setores pastorais. Criou o Movimento Encontro de Irmãos, o Banco da Providência e a Comissão de Justiça e Paz daquela diocese. Fortaleceu as comunidades eclesiais de base.

Estabeleceu uma clara resistência ao regime militar. Tornou-se líder contra o autoritarismo e pelos direitos humanos. Pregava no


Autor(es)

Editorial Academus