Artigos

16/07/2008

Pessoa, Fraternidade e Direito

Introdução: política e reconhecimento

 

No texto Reconciliación y reconstitución, Fernando Atria reflete sobre o processo de reconciliação ocorrido em vários países que tiveram sua normalidade democrática interrompida por governos de fato. Nesses países, ocorreram atrocidades que são considerados “crimes contra a humanidade” ou “crimes contra os direitos humanos”. A tortura é o exemplo mais típico desse tipo de crime e o torturador a figura típica que a sociedade redemocratizada deve integrar a si por meio de um processo político de reconciliação.

Atria aponta para o fato de que “reconciliação” é um conceito político cujo conteúdo pode ser melhor apreendido se for analisado na sua gênese teológica. “Em Cristo Deus nos reconciliou”, diz S. Paulo. Atria interpreta essa reconciliação a partir da revelação que Deus faz, na cruz do seu Cristo, da existência de um pecado universal: a vitimização do inocente. Ao vitimar o inocente, todos aprendem que são, em algum sentido, vítimas, vítimas de uma intoxicação pela força. Ao possuir a força, o ser humano é possuído por ela, tornando-se algoz do seu semelhante. Nesse processo, aquele que usa a força e aquele que a sofre são ambos desumanizados.

Esse texto contém anexo


Autor(es)

Luis Fernando Barzotto