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07/11/2008

Discurso vitória

Se existe alguém que ainda duvide que a América seja um lugar onde todas as coisas são possíveis, que ainda se pergunte se o sonho de nossos fundadores está vivo em nosso tempo, que ainda questione o poder de nossa democracia, esta noite é sua resposta.

É a resposta dada pelas filas em torno de escolas e igrejas em números que a nação jamais viu, de pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas pela primeira vez em suas vidas, porque acreditaram que esta vez precisava ser diferente, que suas vozes poderiam ser essa diferença.

É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, americanos nativos, gays, heterossexuais, deficientes e não deficientes. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo de que nunca fomos apenas uma porção de indivíduos ou uma porção de Estados vermelhos e Estados azuis. Nós somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.

Essa é a resposta que levou aqueles a quem foi dito por tantos e por tanto tempo para serem cínicos, temerosos e desconfiados sobre o que podemos conseguir ao colocarmos as mãos no arco da história e curvá-lo uma mais vez no rumo da esperança de um dia melhor.

Foi uma longa jornada, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data e nesta eleição neste momento definidor, a mudança chegou à América.

Agora há pouco, esta noite, recebi uma ligação extraordinariamente cortês do senador McCain. O senador McCain travou uma luta longa e dura nesta campanha. E ele já havia combatido há muito mais tempo e mais duro pelo país que ama. Ele suportou sacrifícios pela América que a maioria de nós não pode sequer imaginar. Nós estamos em melhor situação pelos serviços prestados por este líder corajoso e abnegado.

Eu o felicito; eu felicito a governadora Sarah por tudo o que eles conseguiram. Pretendo trabalhar com eles no futuro para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.

Quero agradecer a meu parceiro nesta jornada, um homem que fez campanha com seu coração e falou aos homens e mulheres com quem cresceu nas ruas de Scranton e com quem viajou no trem para casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

E eu não estaria aqui nesta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga nos últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor de minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.

Sasha e Malia, eu amo vocês mais do que vocês podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que virá conosco para a nova Casa Branca.

E embora ela não esteja mais entre nós, eu sei que minha avó está nos assistindo, junto com a família que me fez ser quem eu sou. Sinto sua falta esta noite. Sei que minha dívida com eles vai além de qualquer medida.

Para minha irmã Maya, minha irmã Alma, todos meus outros irmãos e irmãs, muito obrigado por todo apoio que vocês me deram. Sou grato a eles.

E ao meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não glorificado desta campanha, que construiu a melhor campanha política, eu acho, da história dos EUA.

Ao meu estrategista-chefe David Axelrod, que foi um parceiro em cada passo do caminho. À melhor equipe de campanha já montada na história da política. Vocês fizeram isto acontecer, e eu serei eternamente grato pelo o que vocês sacrificaram para fazê-lo.

Mas, sobretudo, eu jamais esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.

Eu nunca fui o candidato mais provável para esse cargo. Não começamos com muito dinheiro ou muitos endossos. Nossa campanha não foi planejada nos salões de Washington. Ela começou nos quintais dos fundos de Des Moines, e nas salas de visitas de Concord, e nas varandas de Charleston. Ela foi construída por mulheres e homens trabalhadores que usaram toda pequena poupança que tinham para doar US$ 5 e US$ 10 e US$ 20 para a causa.

Ela se fortaleceu com os jovens que rejeitaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram seus lares e famílias por empregos que ofereciam pouca remuneração e menos sono. Ela extraiu forças das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio cruel e o calor escaldante para bater nas portas de perfeitos estranhos, dos milhões de americanos que se apresentaram como voluntários e comprovaram que mais de dois séculos depois um governo do povo, pelo o povo e para o povo não desapareceu da face da Terra. Esta vitória é sua.

E eu sei que vocês não fizeram isso apenas para vencer uma eleição. E sei que não fizeram isso por mim. Vocês o fizeram porque compreendem a enormidade da tarefa que temos pela frente. Pois enquanto estamos aqui celebrando, sabemos que os desafios que o amanhã nos trará são os maiores de nossas vidas - duas guerras, o planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.

Enquanto estamos aqui, nesta noite, sabemos que há bravos americanos despertando nos desertos d
O Estado de São Paulo, 06 de novembro de 2008