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27/07/2003

O Espelho



Por que persistes, incessante espelho ?

Por que repetes, misterioso irmão,

O menor movimento de minha mão ?

És o outro eu sobre o qual fala o grego

E desde sempre espreitas. Na brunidura

Da água incerta do cristal que dura

Me buscas e é inútil estar cego.

O fato de não te ver e saber-te

Te agrega horror, coisa de magia que ousas

Multiplicar a cifra dessas coisas

Que somos e que abarcam nossa sorte.

Quando eu estiver morto, copiarás outro

E depois outro, e outro, e outro, e outro....

 


Autor(es)

Jorge Luís Borges