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17/04/2008

Os girassóis cegos

O livro de contos “Os Girassóis Cegos”, de Alberto Méndez, traduzido por José Feres Sabino, que foi lido por 100.000 espanhóis, merece a nossa atenção por, pelo menos, duas características: o tema e a sua tradução.

 

O objeto primário do livro é Guerra Civil Espanhola. O segundo objeto foi é a análise do momento pelos vencidos.

 

A tradução também merece duplo exame. Tentarei examinar as questões propostas.

 

A Guerra Civil Espanhola foi desencadeada contra o governo eleito pelo povo espanhol por militares monarquistas que acusavam seus governantes de serem maçons e comunistas. As tropas rebeldes, vinda da África espanhola, invadiram a Espanha por Portugal.

 

A brutalidade foi a marca registrada das batalhas, marcadas por fuzilamentos que atingiram tragicamente a população civil.

 

Os republicanos legalistas, no plano interno, foram apoiados pelos comunistas, anarquistas e sindicalistas. No plano externo, contaram com a simpatia da União Soviética e de inúmeros estudantes estrangeiros, especialmente norte-americanos. O nobelista Hemingway escreveu “Por Quem os Sinos Dobram”`, inspirado na luta de um guerrilheiro republicano, “El Campesino”, que se tornou herói internacional.

 

Os monarquistas tiveram ao seu lado um forte apoio dos fascistas e dos nazistas. A aviação alemã, por exemplo, bombardeou a pequena cidade de Guernica, convertendo comunidades civis em alvos militares. Picasso transformou em um quadro os horrores do massacre que somente foi exibido na Espanha após a democratização.

 

Os monarquistas derrotaram os republicanos. A Espanha passou a ser governada por um duro governo liderado pelo Generalíssimo Franco. Foram os primeiros passos da II Grande Guerra Mundial.

 

Num segundo plano, o contista fala dos vencidos e não dos vencedores, invertendo uma visão segundo a qual a história é escrita pelas armas dos vitoriosos.

 

A tradução feita por José Feres é esmeradíssima, porque é difícil a transferência de um texto do espanhol para o português porque face as insuperáveis armadilhas resultantes da falsa facilidade.

 

Num segundo plano, o trabalho de José Feres Sabino lembrou-me palavras de Sérgio Buarque de Holanda sobre a tradução da tetralogia do José de Thomas Mann por Agenor Soares de Moura.

 

Dizia Sérgio Buarque de Holanda que existia tradução de prosa. Não de poesia. A poesia por ser intraduzível tem que ser recriada pelo tradutor. O livro comentado é um poema em prosa. A chave de seu entendimento está no seu segundo conto: “sou um poeta sem versos”. Há escritores, como Alberto Méndez, que escrevem poemas sem versos. Ou seja, poemas em prosa, que é o caso de “Os Girassóis Cegos”.

 

Dificílimo é traduzir um poema em prosa. Como texto em prosa, o tradutor deve manter-se objetivamente fiel ao autor. Como texto po&


 


Autor(es)

Feres Sabino. Sérgio Roxo da Fonseca