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29/07/2010

Osvaldo Cruz

Pelas alturas de 1895, circulavam no velho continente os tristes rumores de que uma nação do Novo Mundo estava morrendo: “O Brasil está doente... O Brasil agoniza... O Brasil é uma terra de morte.”

O pior é que as versões eram corrobradas por episódios de fato impressionantes. Um navio italiano havia ancorado a meia milha do porto do Rio de Janeiro. Cinco dias depois, seu comandante e 233 membros da tripulação estavam sepultados no mar. Apenas 103 angustiado sobreviventes conseguiram emprender a viagem de regresso. O flagelo era a febre amarela.

Os brasileiros das cidades do interior evitavam ir ao Rio e outros pontos do litoral; e, quando o faziam, em casos de absoluta necessidade, tratavam de não passar a noite ali. Os diplomatas estrangeiros deixavam a capital, preferindo buscar abrigo em Petrólis. Os cariocas que dispunham de recursos, também arribavam para as montanhas, ao primeiro sinal do verão, que era a estação epidêmica. Os negociantes de café em Santos pagavam aos seus empregados enormes salários, admitindo assim tacitamente que se impunha no caso alguma forma de seguro de vida. Os vapores, ao deixar Buenos Aires, traziam o aviso de que “este navio não tocará no Rio ou em que outro porto brasileiro”, Companhias européias de navegação anunciavam “viagens diretas ao Rio da Prata, sem tocar em portos do Brasil”. Era o meio de impedir que os navios destinados a America do Sul partissem vazios.

 


Autor(es)

Lois Mattox Miller