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25/07/2003

Por que foi JESUS condenado pela igreja de Israel?

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A epopéia do Cristianismo começa do maior reino religioso do mundo com o maior
paradoxo da história: a condenação pela mais poderosa sociedade religiosa do
tempo. A sinagoga, detentora oficial da religião revelada, considera Jesus como
o maior pecador, herege, blasfemo e aliado de Satanás.

 

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Como se explica isto?

 

 

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Max Schoen, no seu recente livro "The Man Jesus Was", tem sobre
este particular páginas de grande verdade e clareza.

 

 

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Por que não podiam os chefes da sinagoga - sacerdotes, escribas, fariseus,
saduceus e doutores da lei - compreender o espírito de Jesus? Por que não podiam
esses homens, evidentemente religiosos, simpatizar com o mais religioso dos
filhos de Israel, predito como tal pelos vates de seu próprio povo?

 

 

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A resposta é uma só: No tempo em que Jesus apareceu no cenário da história,
era a religião oficial de Israel um culto da "letra morta" e não do
"espírito vivificante". Um corpo hipertrofiado a sufocar uma alma
atrofiada, uma esplêndida moldura sem a competente pintura - eis o que era a
religião da sinagoga no tempo de Jesus.

 

 

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Em termos pristinos, quando a profunda espiritualidade dos grandes profetas
presidia à história de Israel, tinha a religião dos hebreus sido um culto espiritual,
uma "adoração do Pai em espírito e em verdade". Mas, desde 400 anos
antes de Cristo, após a morte de Malaquias, último dos profetas antigos, até
ao aparecimento de João Batista, não houve profeta em Israel, ao passo que os
sacerdotes da sinagoga continuavam a sua tarefa. Morrera a alma, e só continuava
a existir o corpo da sinagoga - mas corpo sem alma é cadáver - formalidades
rituais, causística teológica, dogmatismos eclesiásticos.

 

 

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A igreja de Israel, no tempo de Jesus, obedecia ao código canônico de
Moisés, a Torah, que consistia de preferência em preceitos e proibições externas,
em organização burocrática e leis cerimoniais. Mas o que Jesus proclamava era
espírito e vida, religião vivida nas mais profundas profundezas do seu ser,
ao ponto de poder dizer "Eu e o Pai somos um", "quem me vê a
mim vê o Pai", "o reino de Deus está dentro de vós".

 

 

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A diferença entre Jesus e os sacerdotes da sinagoga era esta: estes defendiam
uma religião -
Jesus era um homem religioso. Pode-se defender uma
religião sem ser religioso. Por outro lado também se pode ser religioso sem
defender uma determinada religião. Nenhum homem que atingiu a culminância da
sua evolução espiritual defende uma religião, isto é, uma determinada igreja
ou seita, porque, espírito totalista e panorâmico, está por isto mesmo além
de todos os parcialismos e partidos. Muitos dos grandes gênios religiosos da
história foram condenados pelas igrejas e seitas como hereges ou ateus - alguns
deles também eram considerados santos, mas em geral só muito depois da sua morte.
Alguns desses gênios religiosos, foram condenados como hereges e endemoninhados
pela mesma igreja que, séculos mais tarde, os canonizou como santos, como, entre
outros, aconteceu a Joana d Arc.

 

 

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A identificação de qualquer igreja ou seita com a religião é uma história
das maiores aberrações da história.

 

 

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Os sacerdotes da sinagoga remontavam ao corpo jurídico de uma sociedade
eclesiástica - ao passo que Jesus se inspirava na alma eterna da Religião, assim
como vem gloriosamente expressa nas palavras do Gênesis: "Criou Deus o
homem à sua imagem e semelhança; à imagem de Deus o criou ele". Sendo que
a íntima essência do homem é divina, é Deus mesmo, podia Jesus afirmar esta
profunda verdade mística: "O reino de Deus está dentro de vós", quer
dizer, dentro de todo e qualquer ser humano, por mais pecador que seja.

 

 

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Para os sacerdotes da sinagoga, Deus existia algures, na vastidão do
universo - para Jesus, Deus existia dentro do homem, o reino de Deus vivia na
alma de cada ser humano, a alma era Deus dentro do homem. Por isto, sendo a
alma essencialmente divina, não podia ela ser jamais atingida, na sua íntima
essência, por pecado algum, porque, se assim acontecesse, esse pecado macularia
o próprio Deus.

 

 

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Para a sinagoga, dualista e externalista, conversão, redenção, salvação,
vinha de fora, por intermédio dos ministros da igreja, eles, os intermediários
oficiais entre o homem e Deus, os indispensáveis canais da santificação humana.
Acesso a Deus era possível somente por meio desses canais intermediários. Não
pertencer a Deus. Fora da sinagoga não havia salvação. Os gentios de Roma e
os hereges da Samária estavam excluídos do reino de Deus, porque não pertenciam
à igreja, oficial e única de Israel.

 

 

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Para Jesus, porém, o "bom samaritano", apesar de herege, era
um modelo da religiosidade indicado como exemplo a seguir pelo clero de Israel,
e o centurião romano de Cafarnaum, conquanto gentio, era o tipo clássico do
homem de fé, e o Nazareno tem a audácia de afirmar que não encontrou tão grande
fé como a dele, nem mesmo em Israel. Ser religioso, era para Jesus conhecer
e amar a Deus e em Deus amar as criaturas de Deus; e não consistia em assinar
determinada fórmula de credo ou colocar-se dentro da moldura jurídico-teológica
desta ou daquela seita eclesiástica.

 

 

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- o0o -

 

 

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A história do Cristianismo tradicional de quase vinte séculos prova irrefragavelmente
que estamos ainda com ambos os pés plantados sobre a mesma base ideológica que
tornou o clero de Israel incompatível com o espírito de Jesus. O Cristianism
UNITAS - Julho de 1951

 

 


Autor(es)

Humberto Rohden