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25/07/2003

Resedá

No
final da primavera, as grandes chuvas fazem o resedá florir. Conheço
pelo menos três flores do resedá, Uma vermelha, outra branca e
outra cor-de-rosa. Tem parentesco próximo com a jabuticabeira. Seu tronco
é fino, descasca à-toa e demonstra tão grande rigidez que
dificilmente tomba com a tempestade.

 

A
beleza das flores e a firmeza do tronco tornaram o resedá uma árvore
ótima para a arborização urbana. Em quase todas as cidades,
há ruas cheias de resedá.

 

 

Neste
período do ano, sem perder suas folhas, o resedá enche de cores
as ruas da cidade. Em algum lugar, alguém me disse que o resedá
também é conhecido pelo nome de Julieta, lançando assim
uma roupagem romântica sobre suas flores que são tão recortadas
como o vestido usado pela Maria Laô ir à feira de domingo.

 

 

Em
alguns lugares, a palavra é escrita com z, ou seja, rezedá. É
errado escrever com z.

 

 

Existe
alguma teima em cima da origem do nome. Para Silveira Bueno a árvore
é masculina e a flor é feminina. Na antiga Roma acreditavam que
as flores do resedá serviam como calmante, ou seja, serviam para sedar
o paciente, segundo consagrada lição de Plínio. Assim a
palavra vem de "re" mais "sedare" que rigorosamente deveria
ser escrita como "resseda", com dois esses.

 

 

Em
virtudes das cambalhotas que a linguagem dá, a árvore perdeu um
esse e recebeu um acento, também impróprio, na última sílaba,
talvez pelo gosto afrancesado daqueles que a trouxeram para o Brasil.

 

 

Examinar
a origem das palavras é o mesmo que proceder a arqueologia dos costumes
daqueles que nos antecederam e que tiveram o privilégio de sair batizando
coisas e árvores, criando assim uma rede intrincada de símbolos
representativos da realidade.

 

 

Nós
pensamos através desses símbolos. Alguns deles tiveram o sentido
alterado no curso da história. Mas o vocábulo usado por Plínio
na antiga Roma é o mesmo que uso no Século XXI. Acreditava ele
que essas flores sedavam as pessoas. Não sei se a Medicina de hoje também
atribui esses efeitos ao resedá.

 

 

Olho
pela vidraça da minha janela, batida pela chuva e pelo vento. Lá
na frente está um resedá vermelho. Com a chuva fica muito chique.
A beleza de suas flores, empapadas pelas gotas dágua, trazem uma enorme
calmaria. Quem sabe se era dessa calmaria que o romano Plínio falava
em seus escritos ao falar da flor do resedá ? Quem sabe ?
 


Autor(es)

Feres Sabino. Sérgio Roxo da Fonseca