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27/07/2003

Retrato lírico e sentimental da terra amada

        
Amigo Geraldo,

 

         
Pediram-me a letra da Canção do Expedicionário, isto é, do belo poema de exaltação
patriótica que Guilherme de Almeida compôs e que Spartaco Rossi magistralmente
musicou para ser cantado pelos soldados brasileiros no campo da luta, durante
a Segunda Guerra Mundial. Compulsando arquivos, fiquei sabendo que antes de
ler o poema em público, pela primeira vez, em março de 1944, o insigne poeta
paulista declarou que não havia composto um hino guerreiro, mas uma simples
mensagem de incitamento, destinado a levar “a terras estranhas um retrato lírico
e sentimental de nossa terra”.

 

 

        
O leitor que solicitou a letra do poema pediu-me também que tentasse discernir
as alusões literárias e folclóricas nele contidas. Esse trabalho pareceu-me
fácil, mas não ouso remetê-lo ao interessado sem antes o submeter à sua apreciação
avalizada e competente.

 

 

         
Transcrevo adiante os versos de seu ilustre êmulo e, em seguida, os resultados
a que cheguei na tentativa de decompor a bela peça.

 

 

font-family:Verdana;color:navy;text-transform:uppercase>Canção do Expedicionário

 

10.0pt;font-family:Verdana;color:navy>Guilherme de Almeida – Spártaco Rossi

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Você sabe de onde eu venho ?

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Venho do morro, do Engenho,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Das selvas, dos cafezais,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Da boa terra do coco,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Da choupana onde um é pouco,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Dois é bom, três é demais.

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Venho das praias sedosas,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Das montanhas alterosas,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Do pampa, do seringal,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Das margens crespas dos rios,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Dos verdes mares bravios,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Da minha terra natal.

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;color:navy;>____//___

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Por mais terras que eu percorra,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Não permita Deus que eu morra,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Sem que volte para lá;

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Sem que leve por divisa

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Esse "V" que simboliza

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>A vitória que virá!

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Nossa vitória final,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>Que é a mira do meu fuzil,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>A ração do meu bornal,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>A água do meu cantil,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>As asas do meu ideal,

 

 

style=font-size:10.0pt;font-family:Verdana;
color:navy;>A glória
O Estado de São Paulo, s/d.

 

 


Autor(es)

Crônica de Mário Leônidas Casanova