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26/07/2018

A Matemática, reino dividido

Na continuação de nossa conversa de ontem, um problema um pouco árido, um pouco abstrato, cuja finalidade, cuja motivação é a seguinte: eu pretendia, não sei se conseguirei, apenas assim em duas palestras, lhes dar uma idéia da atualidade, do vigor, que a doutrina clássica dos graus de abstração tem no estudo da filosofia das ciências, na situação em que se encontram as ciências nos nossos tempos. Nós vimos ontem que, segundo essa doutrina clássica, há três graus de abstração a partir da apreensão do singular concreto.

Nós obtemos o primeiro grau de universalização e de abstração quando tomamos a idéia, deixando para trás a singularidade, a concretude da coisa, na sua individuação, na sua singularidade. Mas a idéia, assim formulada, contém na sua noção a corporeidade; este é o primeiro grau de abstração; quando, por exemplo, eu digo: Homem, Cachorro, Maçã; eu estou formulando com estes termos, com estes nomes, estou exprimindo idéias que tenho na mente, idéias universais, em cuja noção está incluída a matéria, a corporeidade. A maçã só pode ser maçã tendo substância material, tendo a corporeidade. Este então é o primeiro grau de abstração.

Esse texto contém anexo


Autor(es)

Gustavo Corção