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13/01/2003

Aos poucos, deficiente tem mais conquistas

Maior acesso ao trabalho e à educação especializada são principais vitórias

A arquiteta Silvana Cambiaghi, a poeta Sílvia Cristina de Oliveira e o jogador de futebol Mizael Conrado são exemplos clássicos de superação.
Deficientes, eles conquistaram o acesso à cidadania e à inclusão em uma sociedade que ainda discrimina surdos, pessoas que andam em cadeira de rodas, não enxergam ou são deficientes mentais.

O universo de deficientes no Brasil - cerca de 24,5 milhões de pessoas - equivale quase a uma Argentina, mas, apesar de importantes vitórias, quase todas com base no esforço pessoal do deficiente no decorrer da semana que lembra o Dia Mundial da Pessoa com Deficiência, ainda há um longo caminho a percorrer para que esse grupo, 14,5% da população, conquiste a cidadania plena.

As conquistas obtidas podem ser medidas em maior acesso ao trabalho e à educação especializada. Entre as principais, figuram a criação de um curso de informática dirigido aos deficientes, o aumento de 475% no número de deficientes empregados em 16 cidades, a construção de 108 rampas de acesso em São Paulo e a comprovação por conta do bicampeonato mundial de futebol para cegos que habilidade independe da visão.

Crianças - Também merecem registro positivo um curso de pesca amadora dedicado às crianças surdas, um novo site da Associação de Desporto para Deficientes (ADD) , o www.add.org.br, uma grande fonte de informação sobre deficientes brasileiros, além de condições de acessibilidade às lojas da maior rede de varejo do País.

No curso, oferecido pela organização não-governamental Transformar Associação para o Desenvolvimento do Portador de Deficiência, com apoio da empresa Convergys e metodologia do Comitê para Democratização da Informática (CDI), 15 crianças e adolescentes com disfunções neuromotoras participam da Escola Especial de Informática, que se formou a partir da parceria.

Até o início do próximo ano, serão 30, de acordo com a presidente da Transformar, Maria Lúcia Dotta. "Eles querem se incluir e a informática está se revelando uma ferramenta essencial para facilitar a comunicação e o aprendizado", afirma.

Recorde - Em Osasco, a maior fiscalização para aplicação da legislação que determina às empresas com mais de 100 funcionários a contratação de 2% de deficientes fez que a Subdelegacia Regional do Trabalho registrasse um número recorde de 1.710 trabalhadores portadores de deficiência no mercado regional. Em empresas com mais de 1 mil empregados, o percentual é de 5%.

Colhidos em 16 cidades da região de Osasco, os números, entretanto, escondem uma realidade perversa, de acordo com o coordenador do Centro de Cidadania, Carlos Aparício Clemente. "Como a lei não define o nível de deficiência, as empresas contratam pessoas com deficiência auditiva leve como se fossem surdos. Enquanto isso, muitos deficientes em cadeiras de rodas continuam procurando emprego e enfrentram discriminação", lamenta.

O Grupo Pão de Açúcar lançou, em suas 505 lojas espalhadas pelo País, o selo de acessibilidade. Com o símbolo universal de acessibilidade, o símbolo garante aos deficientes que as lojas certificadas oferecem autonomia e comodidade para a circulação de pessoas com deficiência.

Preconceito ainda é o maior dos obstáculos
Falta de acessibilidade e de transporte especial também dificulta o dia-a-dia

Apesar dos avanços nos últimos tempos, de acordo com especialistas do setor, os deficientes ainda enfrentam problemas com o preconceito por parte da sociedade e dos empregadores, que ainda os vêem, quase sempre de forma equivocada, como alguém com baixa capacidade de resolução dos problemas. As barreiras arquitetônicas representadas por prédios sem rampas e a dificuldade no transporte, principalmente em ônibus, além da falta de clareza na legislação, são outros vilões das pessoas com deficiência.

"A nossa luta ne


Autor(es)

Moacir Assunção