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17/06/2005

Contratos eletrônicos, internet, cultura e civilização

            É de autoria dos filósofos alemães a clássica distinção entre o espírito (Geist) e a natureza (Natur), bem como a polêmica diferença entre cultura (Kultur) e civilização. Alfred Weber (irmão de Max Weber), seguido por alguns historiadores e filósofos alemães, consideram a cultura como a fase do processo histórico em que a capacidade criadora dos grupos apresenta-se mais rica espiritualmente, criando as grandes religiões e filosofias, prestigiando o desenvolvimento da reflexividade, da serenidade e da disposição moderadora da alma. É a fase de maior inspiração e brilhantismo nas artes e no Direito. A civilização, ao contrário, é a fase decadente e técnica deste processo. Destaca-se pela repetição das grandes criações culturais, apesar de inovadora na ciência e nas revoluções tecnológicas[1].
            A cultura, seguindo o sentido proposto, origina-se na sabedoria, na aplicação da mente humana em abstrações, reflexões e momentos de contemplação. Já a civilização, apresenta-se como resultado da experiência social, do aprimoramento intelectual e técnico ao longo do tempo. Nesse sentido, pretende-se esclarecer e justificar a postura adotada em nossos escritos, considerando conveniente e interessante recordar as diferenças entre esprit de géometrie e esprit de finesse propostas no século XVII pelo filósofo e matemático francês Blaise Pascal, lembradas em recente e brilhante trabalho por José Ricardo Cunha.


[1] GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução ao Estudo do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 1992. p. 46 – cap. III – item 26

Autor(es)

Paulo Sá Elias