Entrevistas

16/06/2018

Cientista que diz não saber quando inicia a vida humana está mentindo

A Profª. Dra. Alice Teixeira Ferreira, Professora Associada de Biofísica, da UNIFESP/EPM, na área de Biologia Celular - Sinalização Celular e Assessora da CNBB na Comissão Nacional de Bioética, conta um pouco a história da aprovação da Lei de Biossegurança, em 2 de março de 2005, e como vê hoje o movimento em defesa da vida no Brasil.

A entrevista foi concedida ao jornalista Hermes Rodrigues Nery, e estará incluída juntamente com entrevistas de outras lideranças do movimento pró-vida no País, no livro “A Causa da Vida”, a ser lançado este ano.

Como podemos definir o conceito de VIDA?
Dra. Alice Teixeira Ferreira: Do ponto de vista da Ciência não se conceitua ou define vida. A Ciência se restringe à responder COMO? A descrever os fenômenos. Definição ou conceito de vida é com a Metafísica.

Os cientistas estão eufóricos com a era genômica. São tantas e ricas possibilidades, que as novas promessas de “admirável mundo novo” parecem confirmar a superação das doenças. O que há de concreto em termos de reais possibilidades positivas das conquistas biotecnológicas e o que há de ilusão?
Dra. Alice Teixeira Ferreira:
A euforia já acabou, pois se constatou que o genoma humano foi uma ideologia que custou 5 bilhões de dólares e não resultou lucro imediato para a industria farmacêutica que mais investiu neste “avanço tecnológico”. Os que esperavam “brincar de Deus” melhorando a Sua obra estão desapontados. Foi só ilusão porque o determinismo biológico ou genético não existe. O dogma um gene-uma proteína não é verdade. Além do mais a participação do meio na expressão do gene é importantíssima. Após 2002, quando o genoma humano foi completado verificou-se a necessidade de se estudar como o meio intervém na expressão dos genes: a epigenia.Dos 100.000 genes se reduziu à 20.000 a 30.000 genes humanos. Terapia gênica só para doenças com alteração em um gene, no caso de ser multigênicas não é solução. Por outro lado não se consegue dirigir onde o vetor (um vírus) vai se inserir no genoma e como sempre é acompanhado de um promotor, corre-se o risco deste se localizar junto de um oncogene (gene promotor de tumor). Esta é a explicação para o aparecimento de leucemia nas crianças que receberam esta terapia para restaurar sua imunidade. Existe ainda outro problema que é o da introdução de uma proteína estranha no organismo com a terapia gênica levando à reação imunológica.

Que avaliação a Sra. faz do Projeto Genoma?
Dra. Alice Teixeira Ferreira: Não foi um projeto de pesquisa, onde se faz hipóteses a serem testadas e comprovadas. Foi um projeto para desenvolver tecnologia. Verificou-se que patentear genes foi uma besteira. Afinal, como diz a Dra. Eliane de Azevedo, não sabemos como definir o gene. Serviu para enriquecer a indústria de biotecnologia que vendeu os aparelhos de seqüenciamento e reagentes de identificação.

Quais são realmente as vantagens do uso terapêutico das células-troncos?
Dra. Alice Teixeira Ferreira: Seria uma solução para as doenças degenerativas. Mas devemos desenvolver a pesquisa de maneira tradicional, isto é, antes de mais nada saber como estas células funcionam. É uma tarefa hercúlea pois, não sabemos identificá-las com certeza . Discute-se ainda se existe uma hierarquia na sua diferenciação bem como a sua renovação. A sua sinalização é extremante complexa, envolvendo muitas proteínas na sua característica plasticidade.

A polêmica em torno do uso das células-tronco embrionárias se dá porque não há consenso entre os especialistas do momento exato em que se dá o início da vida humana. A moral cristã afirma que a vida começa no momento da fecundação, no entanto, prevalece o relativismo, com todas as incertezas e jogo de interesses que esta questão suscita. Afinal, que argumentos podemos ter para refutar, de vez, o posicionamento daqueles que insistem em dizer que o embrião humano não é vida, pessoa potente?
Dra. Alice Teixeira Ferreira:
Cientista que diz não saber quando inicia a vida humana está mentindo. Qualquer texto de embriologia clínica (ou humana) afirma que se inicia na concepção. Em 1827, com o aumento da sensibilidade do microscópio, permitindo visualizar o óvulo e os espermatozóides, Karl Ernst Von Baer descreveu a fecundação e o desenvolvimento embrionário. Os médicos europeus, frente tais evidências, passaram a defender o ser humano desde a concepção, contra o aborto. Em 1869 a Inglaterra foi o primeiro pais a tornar o aborto ilegal. O Papa Pio IX, também em 1869 aceitou que o fato de que a vida humana se inicia na concepção. É um fato científico e não um dogma da Igreja Católica ou de qualquer religião. Para não dizer que está ultrapassado os embriologistas, em 2005, afirmam não só que a origem do ser humano se dá na fecundação como, do ponto de vista molecular, a primeira divisão do zigoto define o nosso destino.

Quando começou seus estudos com células-troncos e quando e porque a Sra. se engajou no movimento pró-vida?
Dra. Alice Teixeira Ferreira: Meus estudos com as CTs se iniciou quando começamos estudar a medula óssea de camundongos em 1994.

Como a Sra. avalia a ação do movimento pró-vida hoje no Brasil? Quais os desafios?
Dra. Alice Teixeira Ferreira: Tem de ficar em alerta. Continuo tendo em vista que existem interesses econômicos fortíssimos para que embriões humanos sejam utilizados em pesquisa. Hwang, o “cientista” fraudulento, recebeu 40 milhões de dólares para desenvolver tais pesquisas. Até agora não se conseguiu clonar o ser humano e o cão porque as proteínas que vem na organela do espermatozóide, o acrossoma, são fundamentais para a divisão adequada do zigoto. Além do mais deve existir compatibilidade entre o núcleo celular e as mitocôndrias, organelas celulares importantíssimas para a sobrevivência das células.

Como tem sido a ação da Igreja, especialmente da CNBB, nesse processo?
Dra. Alice Teixeira Ferreira: A CNBB foi de certa forma pega de surpresa, pois não contava que nossos parlamentares aprovariam ou fossem favoráveis a tal degradação do ser humano. Atualmente vem dando TODO apoio aos movimentos em defesa da vida humana e de sua dignidade.

Como tem sido a ação da sociedade civil e de outras igrejas também?
Dra. Alice Teixeira Ferreira: Os espíritas, os evangélicos, os sheicho-no-iê, os budistas são nossos aliados e estão mobilizados. A sociedade civil por outro lado vem sendo muito mal representada através da manifestação de minorias esquerdistas, materialistas. Temos de deixar claro que tais pessoas não nos representam.

Quais as maiores dificuldades de organização do movimento? O que falta?
Dra. Alice Teixeira Ferreira: A dificuldade está na mídia e meios de comunicação que tentam ridicularizar a posição em defesa da vida atacando religiosos, as organizações católicas como OPUS DEI e CÁRITAS, alegando que a nossa sociedade é laica.

Por que o movimento anti-vida no País recebe tanto apoio financeiro, espaço na mídia, etc.? Como superar esta situação?
Dra. Alice Teixeira Ferreira: Numa sociedade materialista em que os valores morais desapareceram, tem-se a desvalorização da família, intensificou o utilitarismo, vive-se na ditadura do neoliberalismo. Temos de usar todos os meios, todos os canais que nos abrem para INFORMAR nosso povo, alertá-los das mentiras. Convencer o nosso povo de que estão sendo enganados, roubados ao se pegar nosso dinheiro e dá-lo às industrias farmacêuticas para anticoncepcionais, camisinhas, pílula do dia seguinte. Um aborto cus
ZENIT

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Profª. Dra. Alice Teixeira Ferreira
Professora Associada de Biofísica, da UNIFESP/EPM, na área de Biologia Celular - Sinalização Celular e Assessora da CNBB na Comissão Nacional de Bioética