Filósofos

Mário Ferreira dos Santos

“Todo homem deve viver e morrer como um  guerreiro”. 
(Mário F. dos Santos)

Filósofo brasileiro (1907-1968). Nasceu em Tietê (São Paulo). Passou sua infância e adolescência em Pelotas (Rio Grande do Sul). Licenciou-se em Direito e Ciências Sociais pela Universidade de Porto Alegre. Mudou-se para São Paulo onde fundou duas editoras para publicação e divulgação de suas obras (Editora Logos e Editora Matese).

Escritor e pensador extraordinariamente fecundo publicou, em menos de quinze anos, a coleção Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais, que abrange 45 volumes; parte deles de caráter teorético e parte histórico-críticos. Em 1957 publicou Filosofia Concreta que estabelece o seu modo de filosofar. Ferreira dos Santos é um filósofo apodítico considerando a Filosofia como ciência rigorosa, aceitando o que é demonstrado e não o problemático e provável. Para ele, a Filosofia possui o genuíno valor de ciência, seja na investigação e na sistematização, assim como na análise e na síntese de temas expositivos e polêmica. Em 1959, a edição de Métodos Lógicos e Dialéticos, expõe uma nova metodologia para guiar com segurança o estudioso no campo do saber.

"O que propriamente chamamos de Dialética Concreta é a arte de unir o conhecimento especulativo com o conhecimento prático, a ciência especulativa à ciência prática, desde que compreendamos que há uma dialética própria a cada disciplina, como há uma dialética própria para cada subordinante, tanto para a parte prática como para a parte especulativa. A Dialética, que consegue unir as duas, é precisamente a Dialética Concreta, porque concreciona a práxis com a epistéme humana no sentido superior, pois há necessidade de ficar bem clara a distinção entre a Ciência especulativa e a Ciência prática."

Em Tratado de Simbólica justifica-a como disciplina filosófica; já que pode-se considerar todas as coisas no seu aparecer, na forma como se apresentam, como um apontar para algo ao qual elas se referem. Chamou a atenção para a importância de simbólica na interpretação dos livros sagrados, já que a dialética simbólica é um instrumento de auxílio à hermenêutica. Baseando-se nela interpretou o Apocalipse de São João, obra inédita.

Em Pitágoras e o Tema do Número, publicado em 1960, visualizou o filósofo grego sob novos ângulos. "Este livro é já uma realização do emprego do meu método dialético-concreto, e as conclusões obtidas estão fundadas em bases reais e históricas, suficientes para assegurar a justeza das minhas afirmações, as quais sempre procuro demonstrar."

Em 1967, iniciou a publicação das obras da "Matese da Filosofia Concreta" que completavam o trabalho iniciado em "Filosofia Concreta". Entretanto só foram publicadas: "A Sabedoria dos Princípios", "A Sabedoria da Unidade" , "A Sabedoria do Ser e do Nada", deixando vários inéditos, A Sabedoria das Leis, A Sabedoria da Dialética Concreta, A Sabedoria dos Esquemas e a Sabedoria das Tensões.

Para a publicação Rumos da Filosofia atual no Brasil em auto-retratos, organizada pelo Prof. Dr. Pe. Stanislaus Ladusãns S.J., escreveu o seu auto retrato filosófico. Ed. Loyola, S.P. 1976.

Teve sua biografia, da autoria do Prof. Padre Carlos Beraldo S.J., publicada na Enciclopédia Filosóficas. Centro di Studi Filosofici di Gallarate. G.C. Sansoni. Editora Firenze, 1969.